Carta do Especialista 🧐– Especial Web Summit Lisboa 2022

A Carta do Especialista de hoje está sendo dedicada a minha participação no Web Summit, que aconteceu na semana passada, na especial cidade de Lisboa, em Portugal. Preciso compartilhar a minha experiência de 3 dias de evento e mais 5 dias de pré e pós-evento, que agregaram muito valor, inclusive.

O QUE É O WEB SUMMIT

Para começar, para que não sabe o que significa exatamente, Web Summit Ã© uma empresa, sediada em Dublin, Irlanda, que realiza eventos em todo o mundo: Web Summit em Lisboa (originalmente era em Dublin), Web Summit Rio no Rio de Janeiro (a partir de 2023), Colisions em Toronto e RISE em Hong Kong. E os caras não fazem nada de brincadeira. Alguns números do Web Summit Lisboa deste ano: aproximadamente 75 mil participantes de mais de 160 países, com 42% de participação feminina e com cobertura por mais de 2000 representantes da mídia. São mais de 1000 palestrantes mas há um destaque muito especial ao ecossistema de Startups, com mais de 2300 participando e 1000 investidores cadastrados buscando oportunidades. O jornal Político disse que é “a principal conferência de tecnologia do mundo”, o Atlântico que o Web Summit é “onde o futuro vai nascer”, e o New York Times que é “um grande conclave dos altos sacerdotes da indústria tecnológica”.

Mas tenho certeza de que, pela grandiosidade do evento, cada participante irá usar seus próprios adjetivos, para descrevê-lo. A minha definição irá ficar para o final… 😉

O principal palco do evento foi a Altice Arena, com capacidade para 20 mil pessoas. Além dela havia 5 pavilhões com vários palcos distribuídos, junto a stands de todos os portes e tamanhos, além de espaços rotativos para as startups.

Os participantes do evento precisavam usar um crachá com QR Code, uma obrigatória – mas dispensável – pulseira de tecido, que deveria acompanhar o participante durante todo o evento e necessariamente ter o App em seu smartphone. Tenho certeza de que um local, com tanta tecnologia e inovação, poderia oferecer algo mais avançado para a selecionada plateia que paga, em média, entre 450 e 900 euros pelo ingresso…

WEB SUMMIT LISBOA 2022

Houve uma abertura do evento no dia 2 mas ele realmente aconteceu nos dias 3, 4 e 5 de Novembro. A experiência do usuário, para esta magnitude de evento, parece não ser levada muito em consideração. Começa por fazerem a abertura em um espaço que comporta 25% dos inscritos…E como não há eventos concorrentes no mesmo horário, imagine a fila para participar…Enorme, como as que normalmente aconteciam nas únicas 2 entradas do local, durante as manhãs…Muitas pessoas perderam pelo menos 1h do seu dia por ali. …(Quer sentir um pouco do “drama”? Clique em:

https://www.linkedin.com/feed/update/urn:li:activity:6995787748599074816/

Deixando o tempo desperdiçado de lado, ainda na abertura houve um problema técnico que assustou a Arena lotada…O drone câmera que ficava passando de um lado a outro, em cima da plateia, enroscou e fez com que as gigantes caixas de som, instaladas rentes ao teto, começassem a balançar, o que gerou uma correria entre as pessoas que estavam sentadas embaixo delas. Bem…Aí foi mais 1h adicional perdida… (Se quiser assistir um pouco do que passou, junto com uma interrompida apresentação sobre Metaverso, clique em:

https://youtu.be/XETGvXmymkk

O destaque da Cerimônia foi o discurso da 1ª dama da Ucrânia, Olena Zelenska, muito emocionante. Até pela proposta do evento e audiência ela demonstrou como a tecnologia está fazendo diferença na guerra contra a Rússia, seja na utilização militar que ajuda a destruir o seu país, seja na reconstrução, como aplicada em próteses usadas para repor pernas e braços de crianças ucranianas. A mensagem final dela para a audiência do Web Summit foi um pedido de que mais pessoas pudessem ajudar na aplicação de outras tecnologias com foco no bem, e que estas pudessem chegar a ajudar a população ucraniana. Gravei a palestra e convido você a assisti-la, já legendada, em português.

https://youtu.be/gl1nU9ePiUY

Celebrando a diversidade, com seus 70 anos de idade, o ministro da Economia de Portugal, Antônio Costa e Silva, nos brindou com sua visão e sabedoria a respeito do que um país deve fazer para que sua economia cresça através da Inovação e Tecnologia. E neste evento ficou muito claro como Portugal deixou para trás seus anos de ditadura e sérias crises políticas e econômicas para ser um hub de inovação mundial.

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Em eventos como este, a sensação de FOMO (“Fear of Missing Out” – estar sempre perdendo alguma coisa) está sempre no ar. Por isto acho 3 dias de evento insuficientes. O SxSw em Austin, no Texas, chega a 2 semanas de programação contínua…Os conteúdos oficiais foram organizados em trilhas, como “Crypto”, “Corporate Innovation”, “Content Makers”, “Book”, “Creatiff”, “Growth”,“DeepTech”, “FourthEstate”, “FullSTK”, “Future Societies”, “Health”, “Music”, “PandaConf”, “Planet:tech”, “Remote”, “Saas Monster”, “Security”, “Venture”, “Verified”, “SportsTrade”, “Modum”,“Auto/Tech&TalkRobot”, além de “masterclasses”, “roundtables”, “pitches” de todos os tipos, para todos os gostos, além de outros eventos paralelos…Só em citar todas as trilhas você não concorda comigo??? 🤔

Entre os temas que estavam no “hype”, pelo menos do que presenciei, vi muito a respeito de ESG (Ambiente/Sustentabilidade, Social/Diversidade, Governança/Boas Práticas), IA (Inteligência Artificial), Web3 e tecnologias relacionadas (Blockchain, Criptoativos, Dados, Aplicações, Games), Genética e Medicina de Precisão e, como não poderia faltar, discussões a respeito do Metaverso…Com muitos e merecidos questionamentos. E, entre as palestras que não consegui presenciar, houve muito relacionado a geração de conteúdo e storytelling também… 😢

Vou repassar alguns dos insights que recebi para você, ok? 👊

CONTEÚDOS DO EVENTO

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Começo com meu assunto predileto, participando da Masterclass do CEO da Siemens Advanta, Aymeric Sarrazin, com o título – traduzido – que adorei “Macarrão Miojo – A Ilusão da Transformação Digital Instantânea”. Ele defende a mesma tese do que eu, de que a TD é uma jornada. Segundo ele, baseada em 3 pilares: Pessoas, que fazem funcionar as tecnologias que empoderam a TD, Ecossistemas, que não funcionam a partir de um “botão pressionado” e Frameworks, que evitam que se perca a visão de um “big picture”.

Sarrazin comenta que apenas 10% das empresas entendem que precisam mudar pra sobreviver nos próximos 5 anos e que 70% das falhas nas iniciativas de TD são causadas por fatores humanos. E são as pessoas que dão propósito para as iniciativas e, sem o comprometimento e envolvimento delas, não haverá sucesso. Outro comentário bem interessante é que as iniciativas devem sempre trazer muito mais valor para os outros e para o ecossistema do que para quem as lidera. Só a partir da adoção delas pela comunidade é que deve ser considerada uma monetização. É assim que o “jogo deve ser jogado”. Em relação à importância dos frameworks e a organização das iniciativas, ele menciona que não adianta iniciar uma grande quantidade de POCs, sem haver relação com o planejamento, comprometimento do board e sem execução organizada. É desperdício de recursos e tempo.

Concordei com todos os pontos do CEO as Siemens Advanta mas acredito que eu e o Charles Betito, em nosso novo projeto (https://Evolve.rocks) em que construímos um conceito de jornada de TD abordando o que chamamos de agenda técnica (meu escopo) e agenda emocional (Charles), baseada em 4 ciclos, está mais completa, adotando uma visão 360º com foco em resultados. Se quiser dar uma analisada e nos dar um feedback, adoraremos. … 🙌

Vamos agora para o Hype dos últimos meses? Sim…METAVERSO!!! Assisti ao painel “A verdade sobre nossa sociedade virtual”, em que participaram Herman Narula, Cofundador e CEO da Improbable, empresa de tecnologias para o Metaverso, Philip Rosedale, Fundador e Conselheiro da Second Life, plataforma que lançou o conceito há 20 anos e Jim Edwards, cofundador do DL News.

Os painelistas reforçaram que, apesar de muitos questionamentos a respeito da aplicabilidade das plataformas que se autodenominam “metaverso”, nós todos já não vivemos mais apenas em um mundo real e que, inclusive, as outras realidades são muito úteis para nossa sociedade e vidas. Vide as interações por videoconferência, que se tornaram lugares comuns para todos, ou ainda a intensa utilização de smartphones e seus apps. Já fazemos muitas interações via web e agora vamos ao mundo virtual. Mas é de comum acordo que este mundo não é para todos. E talvez nunca seja.

Além disto, ao mesmo tempo que este mundo virtual oferece oportunidades, traz consigo outros riscos. Hoje muitas pessoas estão isoladas, seja no mundo real, seja imersas em seus mundos virtuais, conectadas ao computador ou smartphone. Um risco sério é o de cada um comprar a sua própria ilha no mundo virtual e continuar sozinho. Esta possibilidade deve gerar muitas reflexões. Um outro risco é o de, devido aos donos das plataformas, você ser levado no mundo virtual por quem tem todos seus dados e poderá o conduzir pra onde quiserem. Imagine quando todos tivermos a possibilidade de termos nossos cérebros conectados aos computadores… 😱

Mas vamos focar nas oportunidades: pode ser que para pessoas que não tenham acesso a uma boa vida real, a vida no Metaverso possa oferecer algo positivo. Já pensou nisto? No mundo virtual e videogames, não há problemas com raças, sexo, muito menos vieses. Pessoas com deficiência no mundo real, podem viver experiências no virtual que sejam positivas, através dos avatares que escolherem… Olhando para a Sustentabilidade e Economia: se não precisarmos gastar tanto no mundo virtual com o que se gasta no real, como roupas, joias, etc., isto não vai colaborar para a sustentabilidade do mundo real?

Agora um dado que me surpreendeu, a respeito do Secondlife: há 20 anos continua com o mesmo 1 milhão de usuários. Mesmo tamanho de Los Angeles. E gera 650 milhões de dólares de transações por ano!!! US$85 por usuário por ano na plataforma. Mais do que Facebook!! E sem anúncios!!!

Conclusão: Metaverso não é para todos.

E os usuários do SecondLife têm ótima percepção de boas experiências como clientes. Mas o Philip ressalta que é preciso haver governança, principalmente se for local, o que é ainda melhor e empodera as comunidades, pilares importantes de sustentação. Foi comentado que plataformas como Fortnite e Among us focam no relacionamento e interações dos usuários e por isto têm sucesso. As pessoas hoje não são mais apenas consumidores. Elas são moderadoras, atores, querem participar, se engajar.

Ao olhar para outras plataformas concorrentes, a Meta (Facebook), ocupou uma presença de destaque… Muito mais negativo do que positivo… Os painelistas comentaram que o fato da Meta se posicionar como Metaverso prejudica demais o conceito. Porque eles são apenas uma plataforma fechada. E o conceito é muito mais aberto, de uma rede de plataformas interconectadas.

Os painelistas dizem que a Meta não conseguirá resolver problemas técnicos atuais de ciência que demorarão anos para serem resolvidos. E enquanto isto a experiência do usuário não será suficiente. Eles comentaram que a sensação de usar um óculos de RV é semelhante a você ficar cego numa sala escura rodeado de pessoas. Comentaram também que é improvável que no futuro que exista uma única integração entre todas as plataformas mas sim algumas ilhas conectadas.

E quanto ao consumo do energia necessário para sustentar o Metaverso? Eles entendem que haverá cada vez maior eficiência e menor consumo energético das plataformas. Quanto à gestão, comentaram também que uma das dificuldades das plataformas virtuais é administrar e suportar a quantidade enorme de transações e informações. Que o maior gargalo do Metaverso hoje é a viabilidade econômica e não técnica. Não há viabilidade. E que as empresas e pessoas não investirão dinheiro em uma plataforma que tem dono e que pode mudar as regras a hora que quiser.

No painel “Como o Blockchain pode criar uma sociedade inclusiva”, Stewart Rogers, diretor do Grift Daily, entrevistou Marieke Flament, CEO da Near Foundation e Lacey Hunter, cofundadora da TechAid, entendem que a tecnologia de Blockchain pode ajudar a retirar vieses mas, por outro lado, trouxeram uma estatística assustadora: 70% dos adultos nos EUA ainda não usam internet. 😨 Isto faz crescer a importância de que, para a tecnologia Blockchain ser massificada, ela precisará ser simplificada e ser tornar mais acessível, promovendo uma melhor experiência para o usuário. Até porque os usuários não estão preocupados quais as tecnologias que serão aplicadas mas sim como os problemas deles serão resolvidos. Que dores deles serão amenizadas. Para isto acontecer, entendem que devem ser patrocinadas grandes parcerias que promovam a migração da Web2 para a Web3, trazendo grandes designers para este novo “mundo”. As painelistas preveem que, nos próximos 6 a 12 meses, haverá uma quantidade de casos de uso relevantes que servirão para sensibilizar as pessoas a respeito da importância desta nova tecnologia.

Falando em Web3, o painel “Construindo uma empresa de games com o mindset de Web3”, mediado por Gareth Jenkinson, jornalista do Cointelegraph, em que participaram William Quigley, Cofundador e CEO da WAX e Bozena Rezab, cofundadora e CEO da Gamee, aborda a falta de referências de todos os tipos no desenvolvimento de games para Web3, ao contrário da indústria tradicional, em que há muitas referências e benchmarks. Comentaram inclusive que, desenvolver games em Blockchain, é um “Pain In the Ass” 😳🤭. Mas como blockchain é “open source”, codificar é de graça e facilita o processo de experimentação e testes. Aliás reforçam a necessidade de experimentar muito nesta fase, sempre pensando em como gerar valor para os usuários, se preocupando menos com as tecnologias envolvidas.

Os painelistas lembraram de que os games não irão rodar no blockchain mas que os “assets” (avatares, skins, etc) poderão ser armazenados lá e serem levados pelos usuários para outras plataformas, reforçando o senso de propriedade (“ownership”) que esta tecnologia promove. Gamers tradicionais não gostam de NFTs. Dizem que poluem as plataformas. Mas há muito dinheiro ali e os painelistas entendem que, olhando para o futuro dos games usando VR/AR, eles serão essenciais…Isto abre oportunidades enormes de monetização, como, por exemplo, haver um “funding” vendendo NFTs antes do lançamento e ainda sem depender das lojas de apps, que chegam a cobrar 50% das receitas. Mas lembram que, ao vender a versão antes com NFT, a responsabilidade e risco são maiores. A começar pelos testes nas novas plataformas, que devem ser priorizados antes do lançamento. Na indústria tradicional em média há 50 versões para testes.

Agora um panorama do mundo das criptomoedas, sob o ponto de vista de Nicolas Cary, cofundador e vice chairman da Blockchain.com, entrevistado por Anna Irrera, Editora-chefe de Cripto da Bloomberg News, na sessão intitulada “Como se manter aquecido neste inverno”. Nicolas menciona que é seu 5o inverno – a como ele se refere aos tempos de criptomoedas em baixa – no mundo cripto: 2013, 2015, 2017, 2021 e este agora de 2022. Que os ciclos normalmente duram de 18 a 24 meses mas que estão se tornando mais curtos. E que, desta vez, é a primeira vez que as economias real e cripto estão em baixa no mesmo momento. Mas que, nos últimos 3 meses as criptomoedas estão mais estáveis do que algumas moedas reais, como a do Reino Unido. Ele entende que, neste ciclo, o efeito manada já finalizou. Assim como a maior parte dos especialistas em finanças recomenda, Nicolas reforça a importância de que os investidores tenham um mix saudável para passar pelas fases ruins. Menciona que 7 trilhões de dólares foram criados nos últimos 3 anos em cripto…Perguntado se o inverno pode piorar, ele acredita que não mas que há grandes desafios como guerra, inflação, menor democracia e um mundo de fake News que só prejudicam.

De qualquer maneira, investimento em cripto deve ser considerado pra longo prazo, preferencialmente 5 anos. É a tese que defendeu a Cathie Wood, CEO e Chief Investment Office da ARK Invest, na entrevista que concedeu a jornalista Ann Curry, sob o tema “O que a queda do mercado pode nos ensinar”. Ela comentou também que a nova geração, de nativos digitais, faz muito investimentos em cripto, que apostam nisto como investimentos, mesmo com maior risco. Cathie menciona que há 5 plataformas de criptomoedas – entre elas a da DNA, sua empresa, que irão disruptar o mercado nos próximos anos, levando-o de uma patamar de US$ 8 trilhões para US$ 210 trilhões. Se considerarmos que o PIB do mundo em 2021 foi de US$ 94 trilhões, me parecem números realmente disruptivos… 🤔

Uma curiosidade: em algum painel de cripto ouvi que 20% das criptomoedas, algo em torno de US$ 74 bilhões de dólares, estão em carteiras cujas chaves foram perdidas…Surreal, não acha? 🤯

Vale mencionar o caso da varejista Shein, sucesso mundial, na palestra “Tecnologia aplicada na evolução da moda”, que Donald Tang, Vice Chairman, apresentou. A Shein, que trabalha muito no conceito de ESG, está hoje em 150 países e com 10 mil parceiros associados e credita grande parte de seu sucesso às tecnologias que utiliza e aos dados que gerencia: utilizam um super software de “Supply Chain” conectado a um app “data driven” que conecta todos os fornecedores e consegue oferecer um prazo de 10 a 14 dias, entre o processo de design até o de fabricação. A nova plataforma, em testes nos EUA há 2 semanas consegue manter o estoque em 2% apenas. Incrível, não acha? 👏👏👏

Buscando quebrar alguns paradigmas, o painel “Espaço não é só para bilionários”, moderado por Brendan Vaughan, Editor-chefe da Fast Company, que teve as participações de Delian Asparouhov, Cofundador e CEO da Varda Space Industries e Anna Sainsbury, Cofundadora e CEO da GeoComply, defendeu a tese de que bilionários já estão resolvendo problemas do mundo mas resolveram, nos últimos anos, investir um dinheiro considerável para descobrir o espaço. Elon Musk está posicionando a sua empresa espacial como um Uber do Espaço, mudando o perfil do negócio. No passado, o custo de uma viagem espacial era de US$ 100 milhões e agora Musk conseguiu reduzir para US$ 1,9 milhão, inclusive mudando o ecossistema de fornecedores de partes e peças, que agora produzem em maior quantidade com custos infinitamente inferiores. A própria STARLINK, empresa dele de internet por satélites foi um benefício enorme para o mundo. Muitas áreas remotas estão tendo acesso a internet graças a esta tecnologia. Soluções como “GO Comply” de geolocalização usam dados de terceiros, como provenientes de triangulação de celulares, e não mais o antiquado GPS e são utilizados em programas de TV por streaming e proteção de bancos online. Aumenta muito a segurança cibernética.

Um outro ponto muito interessante é o de por que implantarem fábricas no espaço. Os especialistas alegam que somente lá, materiais como fibras óticas, chips e semicondutores e medicamentos podem ser testados sem interferências como pressão e oxigênio. Isto fornece visões diferentes dos testes conhecidos. Iniciativas como estas têm como missão fazer experiências que ajudem a preservar os recursos da Terra. Importante pensarmos fora da caixa, não concorda? 🤝

Outra tecnologia que irá ajudar demais a preservar os recursos de nosso planeta é a dos “Gêmeos Digitais”. Numa masterclass conduzida por Gunter Beitinger, da Siemens, sob o tema “Gêmeos Digitais: construindo os blocos para o Metaverso industrial”, foram apresentados muitos argumentos para que estes modelos digitais venham a ser aceitos como substitutos para os modelos reais, abrindo grandes possibilidades para nosso mundo atual, acelerando a inovação e gerando maior produtividade, como conceitos de design 10 vezes mais rápidos e custos 90% menores no caso de indústrias. E além de tudo possibilitam uma democratização de acesso, já que as plataformas não necessitam de especialistas como as tradicionais.

Dentro do conceito de gêmeos digitais e “Metaverso Industrial”, os principais pilares são: Interoperabilidade, Palavras virtuais persistentes, Interações ao vivo ilimitadas, Relevância para o mundo real, Internet decentralizadas e Economia Funcional.

Gunter menciona várias frases do filme Matrix em sua palestra e finaliza com uma do Neo: “- Eu não vim para dizer a você como isto irá terminar. E sim para dizer como irá começar…”. Que venha o novo mundo e que seja para o nosso bem! 🙏

Bem…Vamos agora para o mundo das tecnologias para a Saúde, começando com o painel “Acelerando os avanços na Medicina através das “deep techs””, moderado por George Lawton correspondente da VentureBeat, com as participações de Sabrina Maniscalco, confundadora e CEO da AlgorithmiqAli Parsa, Fundador e CEO da Babylon Health e Ana Maiques, cofundadora e CEO da Neuroeletrics.

A proposta da Babylon é a de escalar as soluções para alcançar mais pessoas e propor a mudança da medicina de “sickcare” para “healthcare”, focando numa medicina preventiva com coleta e análises de dados. A da Algorithm é a de aplicar computação quântica para analisar como os medicamentos reagirão em nível molecular. Sabrina menciona que ainda devem demorar de 10 a 15 anos para os computadores quânticos estarem acessíveis mas a sua empresa já possui uma tecnologia proprietária que pode ser aplicada e usar o melhor da computação quântica de hoje. A Neuroeletrics tem como objetivo usar eletricidade no cérebro pra modulação e estimulação cerebral, em um processo não invasivo. Reforça que é um treinamento que precisa de recorrência para obtenção de resultados mas eles têm sido alcançados. Tecnologias diferentes mas em busca de melhores condições para os seres humanos!

No painel “Fazendo o invisível, visível: como a tecnologia pode reduzir a doença crônica”, a jornalista da BBC Dearbhla Gavin entrevista Hamish Grierson, confundador e CEO da Thriva Health que, através de um teste doméstico de sangue, habilita as pessoas a monitorarem e melhorarem a sua saúde e George Hadjigeorgiou da Zoe, que tem como missão que as pessoas se alimentem de forma mais saudável, abordam as doenças crônicas e recomendam uma Medicina Personalizada, a partir do mapeamento do Microbioma intestinal, possibilitando entender como os alimentos são absorvidos pelo intestino e organismo. Eles acreditam que o segredo é se manter bem e evitar que as doenças de manifestem.

Abordando as dores crônicas, que afetam 1,7 bilhões de pessoas pelo mundo, destas 130 milhões nos EUA, custando US$ 600 bilhões,  Gabriel Mecklenburg, cofundador e Chairman da Hinge Health, apresentou sob o tema “O grande problema de dor global: Soluções Digitais revolucionando o cuidado e resultados”, um aplicativo muito completo e acessível, com aplicação de visão computacional avançada para monitoramento dos movimentos completos do corpo dos pacientes que se exercitam através dele, dispensando uso de drogas ou cirurgia ao aplicar impulsos elétricos controlados pelo app através de um patch aplicado na região. Incrível! 👏.

Outro assunto muito abordado atualmente na evolução dos tratamentos, é a utilização de testes de DNA, que têm se tornado muito mais acessíveis. Gordon Sanghera, CEO da Oxford Nanopore, apresentou, sob o tema “Sequenciamento Nanopore: do monitoramento da pandemia à saúde do dia-a-dia”, seu dispositivo para testes caseiros de DNA, possibilitando, através o mapeamento genético, uma medicina personalizada de acordo com as necessidades de cada paciente. Estes testes podem e devem ser aplicados em fazendas, reservatórios de água e inúmeras outras aplicações, como foi o caso do monitoramento da covid na pandemia.

STARTUPS 2022

Em relação a startups, este evento era a casa delas. Você pode imaginar que, entre 2300 inscritas, havia todos os tipos de propostas, em todos os níveis de maturidade. No Web Summit elas foram categorizadas em 3 estágios: Alpha (Seed), Beta (MVP validado e faturando) e Growth (Escalando o negócio).

Vou acompanhar os critérios dos juízes do Websummit e destacar as 3 finalistas entre 110 participantes: a vencedora Theneo (Georgia) com sua ferramenta de produtividade para programadores, que automatizava a criação de documentos técnicos para API. A Biome Diagnostics (Áustria) e Gataca (Espanha) foram os outros finalistas.

Se quiser assistir um pouco dos pitches, clique em:

https://www.linkedin.com/feed/update/urn:li:activity:6996626700440645632/ 

ALÉM DO WEB SUMMIT

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Além dos conteúdos que mencionei acima, gostaria de mencionar as experiências pré e pós-websummit, que foram incríveis. Recomendo a quem for a eventos como este, reservar dias adicionais, seja para conhecer um pouco mais da região do evento que você estiver – turismo mesmo! – seja para visitar empresas, como eu fiz, em ótimas companhias, ao lado de líderes de Inovação e Tecnologia dos grupos Carrefour e Cyrela, e cohosts do nosso querido podcast TrenDs News.

Antes do início do evento, fomos visitar a Beta-i, consultoria de inovação colaborativa com alcance global, que nos apresentou sua metodologia de trabalho e alguns cases, como o do Programa SOL (Smart Open Lisboa), com o objetivo de encontrar soluções para desafios relacionados a gerenciamento urbano, infraestrutura, casas e prédios inteligentes, eficiência no consumo de recursos, melhoria na experiência do usuário e comunidades, suporte a atendimentos médicos domiciliares e residências para pacientes de longa permanência, além de startups relacionadas a construção, mercado imobiliário e serviços financeiros. Foram relacionados desafios para todos estes temas e 95 startups de todo o mundo (menos America Latina… 😰), apresentaram propostas de soluções.

O Brasil ocupou uma posição de destaque no evento, sendo a nacionalidade com maior número de participantes no evento, com exceção dos portugueses, com grandes stands do Brasil e Rio de Janeiro, e eventos paralelos com o “Dia de Inovação Brasil-Portugal”, organizado pelo Sebrae, Apex Brasil e Ministério das Relações Exteriores. Nosso grupo participou e ficou uma ótima impressão da apresentação de nosso país e competências para os estrangeiros. Estão de parabéns!

Depois do evento, tivemos a oportunidade de conhecer a sede da Auchan em Lisboa, rede de hipermercados de origem francesa. Tivemos reuniões com os responsáveis de Segurança da Informação e Proteção de Dados Pessoais, da área de Sistemas e de Inovação. O ponto alto, na minha opinião, foi a sala de onboarding de colaboradores…Que SHOW! Fizeram um mural – que ocupa toda a parede – com a visão da empresa para os próximos 10 anos, seus valores, estrutura organizacional, projetos em andamento e vitórias celebradas. Tudo com QR Code de maneira que os colaboradores possam acessar maiores informações em tempo real no Portal da Organização.

Outra visita foi à sede da Outsystems, empresa destacada pelo Gartner pela sua plataforma de low code, que facilita o desenvolvimento de softwares e aplicativos, reduzindo consideravelmente tempo de desenvolvimento e custos diretos. Para quem não sabe, este tipo de solução, até pela carência de desenvolvedores no mercado, tem feito muito sucesso e é uma das tendências fortes na área.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

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Além da premiação da melhor startup, a cerimônia de encerramento teve a Head de Produtos da Meta que pouco respondeu as perguntas a respeito do Metaverso e se negou a fazer previsões de futuro e teve um painel para debater se a Inteligência Artificial entrega realmente o que promete, com destaque para Gary Marcus, cientista de IA da NYU e NewCo e o author de 94 anos Noam Chomsky, que questionaram muito o que se tem feito e resultados das tecnologias de IA. Confesso que tenho uma visão mais otimista que a passada por eles, se bem que muitos pontos de atenção são relevantes e devemos considerar em nossas análises.

Bem…Deixei por último minha definição a respeito do Web Summit Lisboa 2022. Considero o evento como a “Copa do Mundo das Startups”. Entendo que elas são a estrela do show e concordo que precisa existir um evento em nível mundial que as desafie e gere incentivos para chegarem lá. Nem todas precisam chegar ao palco final. Aliás, ninguém garante que as finalistas serão os próximos unicórnios.

Mas só de existir este evento, colocará muitas ideias em pratica e muitos empreendedores serão desenvolvidos e farão a diferença neste mundo.

E não é porque o evento teve as startups como estrelas, que tudo o que aconteceu em sua volta teve menos importância. As experiências em conhecer e conviver com pessoas de todos os tipos e de todas as partes do mundo, numa cidade muito interessante, são inesquecíveis. Os aprendizados são muitos e os relacionamentos criados abrem muitas portas.

Fico agora curioso para saber como será a edição do Web Summit Rio de Janeiro, em março do ano que vem. Estarei lá!

Espero que tenha gostado do compartilhamento de minhas experiências por lá. Me contate caso queira conversar algo mais a respeito. Afinal de contas, nas minhas memórias tem muito mais do que consegui compartilhar neste artigo.

Até uma próxima!!!

Ah… Acompanhe também o “🔥TrenDs News 🚀”, nosso podcast que terá muito mais insights sobre o Web Summit, disponível no Spotify com episódios novos todas as 3as feiras e cujas gravações acontecem todas as 6as feiras, das 8h00 às 9h00 no Clube Transformação Digital do Clube House. Prestigie e participe!

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Renato Grau

Engenheiro, futurista e especialista em Transformação Digital

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